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quarta-feira, abril 09, 2008

Taxonomia de Sistemas de Informação

Existem diferentes tipos de sistemas de informação. Diferentes autores propuseram diferentes taxonomias (veja também na Wikipedia) para explicar-los.

Entendemos que é possível classificar sistemas de informação segundo diferentes pontos de vista. Um desses pontos de vista é o ponto de vista do consumidor, isto é das pessoas que estarão utilizando a informação. Desse ponto de vista (consumidor), entendemos que existem três tipos de sistemas de informação:

  • Sistemas de Decisão,
  • Sistemas Operacionais e
  • Sistemas de Referência.

Sistemas de Decisão

Sistemas de apoio a decisão são sistemas que são diretamente utilizados por gerentes, independentemente de seu nível de decisão na organização. Claro, que esses sistemas são usualmente baseados nos vários bancos de dados da organização que deverão refletir a realidade da empresa. O ponto é que esse tipo de sistemas demanda informação atual, sólida e fornecida em tempo hábil de tal maneira que o gerente possa tomar a melhor decisão possível. Esses sistemas são os que usualmente têm o maior valor na organização. Gerentes precisam de informação para basear suas decisões. Suas carreiras dependem das decisões que tomam e de suas conseqüências para a organização. Por isso, organizações estão dispostas a investirem grandes somas de dinheiro se puderem ter informação de qualidade para substanciarem suas decisões.

Sistemas Operacionais

Também chamados de sistemas transacionais, essa classe basicamente lida com a parte da automação de uma multitude de informações que são necessárias para as tarefas do dia a dia da organização. Esses sistemas existem porque simplesmente é impossível lidar com esse volume de informação sem automação. Eles variam de: sistemas que apóiam o processamento de informações de pagamento de pessoal ao controle de ou o processamento de informação sobre linhas de produção. Seu principal objetivo é o de adquirir informação ou apoiar as atividades fins de uma organização ou de controlar equipamentos. Naturalmente, esses sistemas são aqueles responsáveis por preencher os bancos de dados do qual os outros tipos de sistema derivam seus dados.

Sistemas de Referência

Esses sistemas fornecem informação para um grande número de usuários, que precisam dessa informação para acessar outras informações ou processos de uma dada organização. Esse tipo de sistema é uma espécie de metáfora do conceito do balcão de referência que encontramos em bibliotecas. Aqui usuários podem ser pessoas que trabalham para a organização ou pessoas que são estrangeiras à organização, mas que têm o desejo de tratar com a organização. Por exemplo: manuais eletrônicos, regras, e informação geral são tipos de informação que esses sistemas fornecessem acesso. Com o apoio da tecnologia Web esse tipo de sistema tornou-se de grande importância para as organizações, não só por prover informações que fazem a organização menos dependente de informação em papel (para consumo interno), mas também porque se tornaram um importante canal de marketing, quando a organização tem um sítio na internet

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Arquitetura de Sistemas de Informação

A idéia de que sistemas de informação devem ter uma arquitetura é compartilhada por vários autores e é anterior ao movimento, hoje em moda, chamado SOA. Essa nota é preliminar a uma futura nota sobre SOA.

No artigo sobre Organização Federativa eu tinha proposto uma visão de arquitetura centrada na idéia de federação.

O que vou relatar aqui é um resumo de um livro, lido há bastante tempo, que considero bastante relevante para o entendimento do conceito de arquitetura de sistemas de informação. Trata-se do livro “ Building Enterprise Information Architectures” de Melissa A. Cook. Melissa fornece uma visão prática de como propor uma arquitetura de SI, baseada em sua experiência profissional, na HP, e no artigo, clássico, de John Zachman.

O livro baseia-se na primeira versão do “framework” de Zachman (em Inglês, em Português (Wikipedia)). Vale lembrar que esse “framework” evoluiu e incorporou o esquema das perguntas de qualidade (5w1h), e é, hoje, uma referência na área. Na visão de Cook, existem três tipos de arquitetura (dados, processos e tecnologia), mas no artigo de Zachman têm-se: dados, processos e rede.

O “framework” usado no livro é uma matriz com 6 linhas e 3 colunas. As colunas representam a perspectiva que pode ser: dados, processos e tecnologia. As linhas são: Visão Geral, Visão do Dono, Visão do Arquiteto (“Designer”), Visão do Construtor, Representação Detalhada e Sistema em Funcionamento. O livro tem por objetivo abordar a sub-matriz (1,1;1,2;2,1;2,2) ou seja os dois primeiros níveis de abstração (Visão Geral e Visão do Dono) tanto sob a perspectiva de dados como pela perspectiva de processos. Com isso acredita que terá uma visão da organização. A grande ênfase é que essa visão é uma visão horizontal e não vertical da organização. Ou seja, ou invés de entender a organização através do conhecimento acumulado de cada um dos seus departamentos (visão vertical) passa-se a ter uma visão integradora e entendida como horizontal. A perspectiva tecnológica é tratada a parte.

O processo sugerido pelo livro é o seguinte:

Sub-Matriz (Visão Geral, Processo): a construção da visão geral da arquitetura de processos é feita com base em um processo de colaborativo no qual lista-se as principais classes de processos da organização, ou funções da organização e suas definições. Por exemplo: vendas, marketing, produção. Para isso utiliza-se o conceito de classificação e evita-se redundância entre essas descrições.

Sub-Matriz (Visão Geral, Dados): a construção da visão geral da arquitetura de dados é também baseada em um processo colaborativo para chegar-se as classes de dados. Parte-se das funções para, utilizando-se de técnicas de modelagem de dados, chegar-se à classes de dados refinadas. A autora sugere o uso de meta classes do tipo: gente, lugar, coisa e evento. O uso dessas meta classes ajuda na elaboração de classes de dados. Por exemplo: (pessoa, organização), (ordens de compra, vendedores), (orçamento, previsão, cotas).

As Sub-Matrizes da Visão do Dono é considerada pela autora a visão do sistema de informação. Seu processo básico é composto de 3 sub-processos. Primeiro, para cada função do negócio identifica-se todas as entidades presentes na lista da visão geral que são criadas por esta função. Segundo, refina-se a Visão Geral de tal modo que haja um mapeamento um para um entre funções e classes de dados. Esse mapeamento define fronteiras entre sistemas de informação. Terceiro, identifique para cada entidade das classes de dados, uma função primitiva, que pertença à classe de funções, que crie essa identidade. O ferramental básico para a criação da Visão do Dono é uma matriz que mapeia funções primitivas e entidades e nomeia as células com as etiquetas cria, lê, atualiza e apaga. Em inglês essa matriz é conhecida pelo nome de “CRUD” (veja nas páginas de 36 a 42, uma explicaçõe e um exemplo dessa matriz) e é bastante útil no mapeamento entre dados e processos.

O resultado esperado é que se define um conjunto de sistemas de informação em que cada um é coeso e em que cada um está fracamente acoplado com outros. Isso ocorre porque cada sistema de informação servira uma função do negócio e terá acesso de escrita a apenas àquelas entidades que são de sua responsabilidade criar. Outros sistemas interagem com um sistema na medida em que tem acesso de leitura aos dados criados por este sistema. Essa visão de sistemas de informação baseia-se na perspectiva de tecnológica em que sistemas de informação comunicam-se através de permissão de leitura entre servidores de diferentes sistemas.

É interessante notar que nesse livro desenham-se heurísticas gerais para a obtenção de uma federação de sistemas, baseadas em um planejamento global com base no “framework” de Zachman. Muitas propostas atuais de SOA utilizam-se desse mesmo conjunto de premissas.

Em futura nota comentarei em mais detalhes os prós e contras dessa visão de arquitetura.

sábado, novembro 10, 2007

Ética Profissional

A razão dessa nota é o final do Capítulo 8 do livro do Sá Carvalho, que diz:

“Assim, poderíamos, sem grandes pretensões, relacionar alguns itens de uma possível ética profissional do Analista de Sistemas, tal como o entendemos:
1- Trabalhar para a obtenção de benefícios reais, ao nível da empresa e do país, através da elaboração de sistemas de informações úteis, eficazes, que atendam às efetivas necessidades de informações dos usuários, dentro de uma perspectiva de apoio as suas ações concretas no seu meio ambiente; evitar a simples mecanização geradora de desemprego de outros profissionais.
2- Disseminar a informação tecnológica aberta e claramente, traduzindo, para o público leigo, todos os aspectos que, por terem possível influência sobre suas vidas, lhe interessarem; desmistificar permanentemente o jargão e as colocações publicitárias que tendam a transmitir idéias falsas acerca de custos, benefícios e conseqüências práticas da tecnologia sobre a vida das pessoas e das empresas.
3- Manter perfeito sigilo acerca de todas as informações que tiver, por força de sua atividade profissional, acesso, concernentes a pessoas físicas e jurídicas, sua intimidade e interesse diretos.
4- Defender e desenvolver, por todos os meios, a tecnologia nacional adequada e adaptada às necessidades do país, evitando contribuir para a desnacionalização de nossos meios de produção, de nossa economia e, principalmente, de nossa cultura.
5- Não estudar ou projetar sistemas que possam representar prejuízos sociais ou ambientais.” Luiz Carlos de Sá Carvalho (Análise de Sistemas O Outro Lado da Informática, Editora LTC, 1988)

No texto de Sá Carvalho, vemos um viés nacionalista (4), uma preocupação com a privacidade (3), um princípio de preocupação com a transparência (2) e uma preocupação com o meio ambiente (5) e uma preocupação básica com os requisitos (exatidão) (1).

O texto de Sá Carvalho representa uma visão pessoal, sobre ética. Em minha opinião é um texto atual e mantêm os pontos principais de muito dos códigos de ética de entidades profissionais. Claro, sua visão nacionalista pode ser criticada por alguns. Sobre visões sobre ética vale a pena ler um comentário de Frei Betto sobre visões sobre o conceito de ética. Veja também o comentário do Frei Bento sobre ética.

O especialista nesse tópico, no Brasil, é o Professor Masiero da Universidade de São Paulo. É de sua autoria, o livro Ética em Computação da Editora da Universidade de São Paulo, publicado no ano 2000. Dois artigos do Professor Masiero estão disponíveis: um comentando o caso da votação do Senado Federal e outro com uma visão mais ampla sobre a interseção do Direito e da Informática.

De rápida busca na rede coletei uma série de sítios que merecem uma visita. Particularmente, indico um resumo feito pelo Professor Porfirio Barroso Asenjo que faz um estudo de vários códigos de ética, de diferentes países, e confirma quatro pontos básicos já reportados por Mason. Esses pontos são: privacidade, exatidão, propriedade intelectual e facilidade de acesso.

Alguns outros recursos podem ajudar a uma melhor compreensão desse importante tema.

a) Um artigo do Professor Michael Stanton,
b) Um curso da Universidade do Porto (vários elos de interesse),
c) O código de ética do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), a maior organização profissional do mundo. Em particular é interessante a menção explícita quando ao ato de receber propina, mas não ao ato de oferecer. Afora esse detalhe, creio que o código é conciso e bastante apropriado (Em Inglês),
d) O código de ética da Associação de Computação (ACM) ( Em Inglês), e
e) O código da Ordem dos Engenheiros de Portugal.

domingo, outubro 14, 2007

Gerência de Tecnologia

Defini, de maneira geral, o termo "Gerência de Tecnologia" em
um artigo, já utilizado como tema de postagem.

No entanto, creio que vale a pena repetir, explicitamente, o texto do artigo.


"Ao gerente de Tecnologia cabe a seleção de tecnologias
informáticas. Este órgão serve não só como o
negociador de tecnologia com o mundo exterior, mas
também como um filtro e buffer para aliviar as pressões
do ``marketing'' sobre os atores ligados as funções
de informática.

Longe de ter como objetivo a decisão-chave de poder
usar ou não poder usar, esta gerência deve ser bastante
flexível e ter uma visão muito próxima da própria visão
do negócio.

Cabe a esta gerência a tarefa de transferência de tecnologia.
O gerente de Tecnologia necessita uma sólida formação
universitária, preferencialmente à nível de pós-graduação e
manter-se constantemente atualizado com as tendências
das tecnologias do ramo. Uma característica fundamental
desse profissional é a capacidade de análise criteriosa das
tecnologias envolvidas, o que certamente exige não só
uma pessoa de extrema capacidade intelectual e técnica,
como um profissional com experiência considerável na
seleção de tecnologiasatravés de avaliações, uso de
consultores, negociação comfornecedores, entre outras.

Importante frisar, que a este perfil deve-se somar
uma perfeita adequação à própria organização,
entendendo seus desejos e suas áreas de competência."

sábado, agosto 25, 2007

Mini Mundo

Em Banco de Dados, alguns autores usam o termo mini mundo para denotar o contexto: no qual o banco de dados atua, e do qual o seu esquema lógico foi baseado.

Em Engenharia de Requisitos utilizamos o conceito de Universo de Informações para denotar o contexto onde o software irá atuar e de onde os requisitos serão elicitados.

sábado, agosto 18, 2007

Folksonomia

O Estado de São Paulo, um dos mais tradicionais jornais do país, reformou seu visual na rede. Uma das novidades é o uso de marcadores ou etiquetas. O jornal optou por usar um anglicismo, já que usa a palavra “tags”. Esse fato reforça o que tínhamos escrito sobre essa maneira de organizar conhecimento. O jornal foi conservador, já que permite, apenas, que seus editores e jornalistas etiquetem ou marquem. O ideal seria se tivessem deixado que os leitores fizessem a marcação, mas claro, isso teria um custo.

O título da nota usa um neologismo para definir a prática do uso de etiquetas ou marcadores. É interessante ver como a palavra é definida na Wikipédia em Português, em Italiano, em Espanhol e em Francês.





quarta-feira, agosto 15, 2007

Um Clássico

Incrível! Acabei de descobrir que o artigo
"Strategies for Information Determination"
de Gordon Davis está disponível na rede. Veja aqui.

Esse artigo é um clássico. Vale a pena ler. Creio que permanece atual.

sábado, julho 21, 2007

Biblioteca Digital - Engenharia de Requisitos

Já está disponível o novo conjunto de artigos do Workshop em Engenharia de Requisitos.

Nessa edição, a língua inglesa foi preponderante, principalmente porque o evento foi organizado pela Universidade de York no Canadá. São 21 artigos tratando de diferentes temas, tais como: elicitação de requisitos, modelagem de processos, testes, inspeções, variabilidade, aspectos, requisitos não-funcionais entre outros. Confira.

Vale lembrar que o WERpapers é uma biblioteca digital que disponibiliza todos os artigos aceitos e revistos que foram selecionados ao longo dos dez anos de existência do Workshop em Engenharia de Requisitos.

Essa biblioteca digital é de livre acesso e pode ser pesquisada em todo seu conteúdo usando o “Google”. Além disso, a biblioteca fornece a lista das citações dos artigos publicados fornecida pelo “Google Scholar”.

A WERpapers é indexada no BDBComp e na DBLP.

quarta-feira, junho 06, 2007

Qualidade em Sistemas de Informação

A palavra qualidade é utilizada em vários contextos. De maneira geral, todos querem qualidade. Na ótica de Sistemas de Informação, ensino que o ponto fundamental para que um Sistema de Informação seja considerado de qualidade é a coerência.

Segundo o dicionário do Aurélio (Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, 1° edição, Nova Fronteira), coerência é a “Qualidade, estado ou atitude de coerente.” e “Ligação ou harmonia entre situações, acontecimentos ou idéias; relação harmônica; conexão, nexo, lógica”. Usando a mesma fonte encontramos que coerente é “Em que há coesão, ligação ou adesão recíproca.”

Como um Sistema de Informação deve refletir o que ocorre numa organização, como um espelho, enfatizamos que o mesmo deve ser coerente com a realidade. O que significa ser coerente com a realidade? Em última análise, significa que as informações, que o sistema contém, refletem a realidade.

Um exemplo simples, mas elucidativo, é o seguinte: suponha uma concessionária de veículos, nela existem veículos sendo vendidos. Suponha que uma contagem no pátio dessa concessionária mostra a existência de 10 veículos. Suponha que, no mesmo instante dessa contagem, temos acesso ao Sistema de Informação da organização. Se encontrarmos, ao consultar esse sistema, os mesmos 10 veículos, diremos que o sistema é coerente.

É claro que manter a coerência é difícil face à forma, idade ou freqüência da informação que estamos lidando. No entanto, de nada serve um Sistema de Informação onde a informação não é coerente com a realidade.

Para obtermos Sistemas de Informação onde as informações são coerentes com a realidade, precisamos, antes de tudo, modelar o Sistema de Informação de forma coerente com a realidade. Isso será tema de outra nota.

Para enfatizar o conceito de coerência, contrasto-o com o conceito de consistência. Usando a mesma fonte acima, dicionário do Aurélio, entendemos consistência como: “ Concordância aproximada entre os resultados de várias medições de uma mesma quantidade”. Portanto, consistência é um conceito aplicado a uma entidade, é um conceito interno, contrário à coerência que é um conceito de relacionamento entre partes.

Utilizando o exemplo da concessionária podemos dizer que o Sistema de Informações é consistente se, dos 10 veículos, temos 4 veículos utilitários e 6 veículos de passeio. Portanto, ao dizer que são 10 os veículos, estamos sendo consistentes com o fato de haverem 4 veículos de um tipo e 6 de outro tipo. No entanto, suponha que, por alguma razão, o Sistema de Informação registrasse, na mesma situação descrita acima, 9 veículos sendo 4 veículos utilitários e 5 veículos de passeio. Nesse caso o Sistema de Informação seria consistente, apesar de ser incoerente.

Pense sobre isso. Consistência é um conceito interno. Coerência é um conceito de ligação, externo. Não basta um Sistema de Informação ser consistente, ele tem que, obrigatoriamente, ser coerente.

Sistemas de Informação bem desenhados usam redundância para poder verificar a consistência. Essa redundância é desenhada de forma que a informação redundante seja provida por diferentes fontes. Portanto, a detecção de inconsistência é um alerta para uma possível presença de incoerência. O uso apropriado da redundância será tema de uma futura nota.

A Figura abaixo é a que costumo utilizar para explicar a dicotomia entre consistência e coerência. A consistência pode ser verificada, mas a coerência precisa ser validada. Portanto a consistência pode ser feita sem o envolvimento dos clientes, mas a coerência necessita da participação de clientes.





Portanto toda vez que escutar falar sobre qualidade, lembrem: um Sistema de Informação só tem qualidade se suas informações forem coerentes com a realidade!

segunda-feira, abril 02, 2007

RetroAlimentação :"feedback"

Retroalimentação ou "feedback" é um conceito fundamental para a teoria do controle. O "feedack" é uma informação produzida por um sistema que informa sobre o compartamento daquele sistema.

Sistemas podem ser definidos por meio de entradas e saídas. Um sistema consome entradas e produz saídas. O "feedback" é uma saída que transforma-se em entrada. Sistemas que tratam esse tipo de informação têm a possibilidade de conhecer sobre seu próprio funcionamento. Conhecer sobre seu próprio funcionamento ou desempenho é de fundamental importância para o auto-aprendizado, para a evolução.

No entanto, o esquema de "feedback", como uma entrada particular para um sistema, tem limitações.

Para um entendimento mais profundo sobre o conceito de controle creio que o modelo ultra-estável de Ashby(veja 1 e 2) é de fundamental importância.

Aprendi sobre esse modelo há muitos anos atrás com a leitura do excelente livro "A Gestão pelos Sistemas" de Jacques Mélèse, traduzido por Antonio de Garcia de Miranda Neto e publicado em 1973 pela LTC. Nele Mélèse explora a idéia de ultra-estabilidade para a gestão organizacional.

Recentemente aprendi que autores da área de "Autonomic Computing" (2006) estão usando o modelo de Ashby.

Abaixo vai a figura que representa o modelo ultra-estável de Ashby. Usarei as palavras de Mélèse para descrever esse modelo: "O sistema se chama ultra-estável porque possui dois níveis de estabilidade e dois sistemas de guiagem: o primeiro nível é o regulador, que assegura a estabilidade, seguindo o ritmo das pertubações exteriores; o segundo é o controle que, em ritmo mais lento, fonfere ao sisema um segundo grau de estabilidade, modificando a ajustagem do regulador".

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Sistema de Bilhetagem da Gol

Em nota anterior, sobre competitividade, falei sobre o caso da Gol.

Lá resumia em 4 pontos a estratégia da empresa:

1) frota completamente nova,
2) bilhetagem simplificada,
3) preço sobre demanda, e
3) venda direta, primeiro via telefone e hoje fundamentalmete na Web.

O que não ressaltei na nota anterior, é que a Gol não utiliza o conceito de reserva de lugar. Inexiste reserva na Gol. O usário compra o bilhete. Nesse sentido a Gol utilizou o mesmo princípio já empregado pelas empresas de ônibus. É um grande diferencial. A eliminação da reserva é, não só uma economia para o Sistema de Informação, mas elimina uma redundância de informação que o mercado demonstrou ser desnecessária.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Operações Básicas Aplicadas à Informação

Sob a ótica de Luiz Carlos Sá Carvalho:
“As funções básicas realizadas com os dados são, na essência, apenas as seguintes: transcrever ou copiar em locais estabelecidos, arquivar segundo uma regra, localizar dados arquivados e executar cálculos aritméticos. “Só”?, me dirá o leitor, um tanto desconfiado. Pois é, só isso.” (Página 86 do livro Análise de Sistemas: O Outro Lado da Informática)

No entanto, na página seguinte diz Sá Carvalho: “Como já dissemos, temos muita dificuldade para entender e avaliar globalmente, grandes quantidades de informação de uma só vez. É preciso uma boa síntese. Esse processo de síntese nada mais é que selecionar, adequadamente, alguns dados, resumir outros por meio de cálculos e colocar lado a lado aqueles cuja correlação seja muito significativa e que devem ser vistos simultaneamente pelo usuário. “Saber” alguma coisa, é, afinal de contas correlacionar fatos e idéias”. (Página 87 do livro Análise de Sistemas: O Outro Lado da Informática).

Uma interpretação do texto de Gordon Davis em seu livro “Management Information Systems: Conceptual Foundations, Structure and Development (edição 1974) me levou a definir 5 ( cinco) operações básicas sobre informações. Vale notar que Davis é mais específico, ao chamar quatro dessas operações de estratégias para “data reduction”. As operações são:

• Classificação (Informações precisam ser organizadas)
• Sumarização (Para combater a complexidade do volume de informações, são necessárias estratégias de síntese)
• Filtragem (Para combater a complexidade e limitar o acesso, são
necessárias estratégias de seleção de informação)
• Inferência (Regras de inferência podem descobrir padrões em um conjunto de grande volume de informações.)
• Apresentação (Diferentes formas de apresentar a informação
influenciam como a mesma é compreendida).


Essas macro operações são constantemente empregadas em Sistemas de Informação para atender às necessidades dos seres humanos que utilizam esses Sistemas.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Globalidade: Teoria Geral de Sistemas

Acabo de fazer referência ao conceito de globalidade em uma nota em outro veículo. Nele coloquei um ponteiro para uma nota anterior sobre TGS, na qual a caractéristica de globalidade foi mencionada, mas não definida.

Entende-se globalidade, no contexto da TGS, como a característica de que por menor que seja a alteração num sistema, essa alteração impacta todo o sistema.

Existe uma frase muito usada em alemão que fala sobre o problema de detalhes. Estou copiando aqui uma transparência utilizada em uma palestra no Simpósio Brasileiro de Engenharia de Software, que contrapõe o ditado em duas línguas: prestem atenção no detalhe!

segunda-feira, novembro 27, 2006

Sistemas de Informação: Uma área de conhecimento?

Um artigo do mês de Maio, na revista "Communications of the ACM", reporta uma pesquisa sobre a presença de citações à periódicos da área de Sistemas de Informação. Com os resultados da análise, o artigo pretende apresentar a idéa de que Sistemas de Informação deixou de ser uma área onde faz-se referências a outras áreas para passar a ser uma área que outras áreas referenciam.

Com dados de citações, os autores constroem um argumento de que SI é uma área de conhecimento, como seria ciência da computação ou engenharia.

Vejam o resumo sobre os dados do artigo em uma nota que postei em Amazing (Inglês).

domingo, novembro 12, 2006

Catalogando Informações

Os termos tesauro, vocabulário, dicionário, léxico, taxonomias e recentemente ontologias têm sido utilizados na literatura de uma maneira livre e a precisa definição de cada um desses termos depende do autor e do contexto em que são utilizadas. Em Ciência da Informação os termos tesauro, vocabulário e léxico tem um sentido estrito na medida em que ajudam os sistemas de catalogação. Nas ciências naturais, taxonomias são fundamentais porque fornecem diretrizes para a construção dos mapas das espécies, existindo uma sub-área que cuida especificamente disso: a sistemática.

Em Ciência da Computação a tarefa de disponibilizar conhecimento é uma dos pontos principais para o qual se direcionam várias áreas de pesquisa, principalmente as relacionadas a: banco de dados, inteligência artificial, modelagem conceitual e engenharia de software para citar algumas.

Recentemente, com o crescimento da Web, o problema da catalogação da informação e sua fácil recuperação agravaram os desafios de lidar com um grande volume de informação não previamente catalogada. Nesse contexto buscou-se na filosofia um termo, ontologia, que pudesse refletir a magnitude do problema.

Tesauro, vocabulário, léxico, taxonomia e ontologia como dissemos têm distintas definições. Não nos cabe aqui entrar nessa discussão. Vale frisar que de uma maneira geral, os requisitos normalmente colocados para catalogação em Ciência da Informação são menos sofisticados que os que os pesquisadores de modelagem conceitual e de inteligência artificial têm voltado sua atenção.

De uma maneira geral, e bastante geral, pode-se entender que: vocabulário, léxico, tesauro e dicionário encontram-se mais focados em aspectos denotacionais, que taxonomias estão mais focadas em aspectos estruturais, no que concerne a conotação, e que ontologias são estruturas mais complexas, onde não só aspectos denotacionais e conotacionais são centrais, mas também o emaranhado de relacionamentos entre as entidades desse conjunto.

sábado, novembro 11, 2006

Atividades de Gerência

Enteder as atividades básicas de gerência, independente do nível de detalhe, é fundamental para o profissional de Sistemas de Informação. Nomeadas por Fayol, são pilares para o entendimento das práticas de administração. É importante compreende-las bem.

As quatro atividades são:

-- Organizar
-- Planejar
-- Controlar
-- Coordenar

Um gerente utiliza-se dessas tarefas básicas em situações que evoluem ao longo do tempo. O gerente parte de uma situação existente e procura atingir o objetivo. Essas são pré-condições para que as tarefas sejam desenvolvidas.

Poderíamos, de uma maneira simplista, entender o processo de gerência como uma função com dois parâmetros: situação atual e objetivo: Função_Gerenciar (Situação_Atual,Objetivo). A função retorna verdadeiro (V) ou falso (F), dependendo do sucesso do gerente. Para executar essa função o gerente deve-se valer das quatro tarefas básicas listadas acima.

Ao organizar o gerente trabalha com a identificação e a disponibilidade dos recursos necessários para atingir o objetivo. Fundamentalmente é definir como pessoas, artefatos, técnicas e infraestrutura estarão disponivéis na situação atual para o atendimento do objetivo.

Planejar é traçar o caminho que levará com que o objetivo seja atingido.

Dirigir é fazer com que as pessoas, recursos, artefatos, técnicas e infraestrutura trabalhem na direção do plano.

Controlar é ter certeza que o caminho traçado está sendo seguido.

Numa visão simplista tudo seria ordenado: organiza-se, planeja-se, dirigi-se e os objetivos serão alcançados. Como gerenciar não é simples, essa visão não é suficiente. Há que controlar. A sub-função controle detecta desvios entre o que está sendo realizado, fruto da sub-função direção, e o que foi planejado. Esses desvios orientam como agir subsequentemente na sub-função direção. No entanto, algumas vezes, isso também não é suficiente, então pode ser necessário um re-planejamento ou até uma re-organização.

O ponto importante da sub-função controle é que ela proporciona a retro-alimentação. A retro-alimentação é pre-condicção para aprender, para melhorar.

Nos programas de melhoria contínua, na ótica do movimento de qualidade total, é extremamente importante o entendimento do ciclo PDCA (Plan, Do, Control, Act), ou seja: planeje, execute, controle e aja. Como o PDCA é circular, a ação tomada em reação ao controle pode levar a um novo plano.

sábado, outubro 07, 2006

Universo de Informações

"Universo de Informações é o contexto geral no
qual o software deverá ser desenvolvido e operado.
O UdI inclui todas as fontes de informação e todas
as pessoas relacionadas ao software. Essas pessoas
são também conhecidas como os atores desse universo.
O UdI é a realidade circunstanciada pelo
conjunto de objetivos definidos pelos que
demandam o software"

quinta-feira, agosto 31, 2006

Será que TI ainda é um investimento estratégico?

A discussão iniciada em 2003 por Nicholas Carr ainda é bastante atual.

Será que TI é realmente uma "commodity"?

Voltarei a esse tema. Só para iniciar, veja esses endereços abaixo.

1) Um artigo antigo que achei no Google.
2) Uma tradução de artigo da Wharton.
3) Um editorial da Computerworld, versão portuguêsa.

Se por um lado é verdade que TI é, cada vez mais, uma mercadoria e que sua importância é fundamentalmente operacional, creio que é muito forte não pensar no seu uso de forma estratégica.

Veja o caso da Gol. A Gol conseguiu, de maneira incrívelmente rápida, uma participação crescente no mercado de transporte aéreo no Brasil e agora também no mercado latino-americano. Sem querer entrar em detalhes sobre isso, vale frisar que seu sucesso foi obtido com base em 4 pontos chave:

1) frota completamente nova,
2) bilhetagem simplificada,
3) preço sobre demanda, e
3) venda direta, primeiro via telefone e hoje fundamentalmete na Web.

As duas últimas só foram possíveis face a existência de um sistema de informação sintonizado às caractéristicas da empresa. Esse sistema foi fundamental para que a empresa fosse competitiva e ganhasse o mercado na forma que o fez. No entanto, poderia arguir-se que em termos de pesquisa pouco se fez, e que a empresa simplesmente utilizou TI como uma mercadoria, face a variedade de fornecedores de sistemas de reserva. No entanto, se esse sistema não estiver bem sintonizado aos objetivos da empresa ele não será uma arma de competição. No caso específico a TI foi fundamental para o sucesso da Gol.

No entanto, a Gol está indo além. Está montando, com tecnologia já conhecida e portanto podendo ser considerada mercadoria, um banco. Veja que aqui a vantagem competitiva da Gol é a junção da TI com a percepção de que "voar" passa a ser também uma mercadoria como o é um eletrodoméstico. Dessa forma com o "VOE FÁCIL GOL" está criando o crediário para "voar", e passará a auferir renda também no financiamento direto. Nada de novo, aparentemente, já que outras empresas aéras já operavam com crediário, que aos poucos foram sendo substituídos pelas vendas por cartão de crédito.

A Gol relança o crediário porque dispõe de TI capaz de dimuir o custo de processamento e o risco de inadimplência. Além disso usa uma estratégia de marketing onde o cartão de crediário passa a ser visto com um cartão de fidelização.

Essa estratégia, em linhas gerais, é facilmente replicável, mas dependerá fundamentalmente das heuristícas embutidas na análise do crédito acoplada com as heurísticas de preço sobre demanda.

Apesar de ser uma reunião de tecnologias, acredito que esse caso mostra um exemplo, no qual a TI é extremamente importante sob a ótica de competitividade.

quinta-feira, agosto 10, 2006

O Executivo de Sistemas de Informação

O executivo de sistemas de informação é um profissional que tem passado por grandes transformações. Claro: com a velocidade das mudanças tecnológias é natural que esse profissional tenha que estar "antenado" para novas tendências, novos produtos, novas gírias.

Historicamente esse profissional passou por uma série de ondas de transformação e o título que denota sua posição máxima é um exemplo de como as coisas mudaram.

Vejamos: Chefe do Departamento de Processamento de Dados, Gerente de Informática, Diretor de Informática, Vice-Presidente de Informática e o termo mais comum hoje: CIO (Presidente de Informática). Usei termos em Português, inclusive fazendo uma versão e não uma tradução para o termo hoje utilizado (Chief Information Officer).

O que vemos é que esse executivo foi aos poucos subindo na pirâmide organizacional; função basicamente do crescimento do uso de tecnologias de informação na organização. É um cargo de alta responsabilidade e por isso muito bem remunerado.

Voltaremos a esse tema. Vou aproveitar e adicionar um elo aqui do lado para um veículo que traz muitas notícias que são de interesse desse tipo de profissional, e é claro para aqueles que querem chegar lá. A adicão do elo é apenas uma referência para material jornalístico em Português. Existem outros canais de divulgação jornalística como a revista Exame, por exemplo, mas creio que o portal mantido pela IDG é uma das melhores indicações.

sábado, julho 22, 2006

Organização Federativa de Sistemas de Informação

O título acima é de um artigo que escrevi em 1994 e que está publicado na revista BateByte da Celepar.

E por que ressucitar um artigo escrito em 1994?

A razão é que o problema de integração é perene.

Vejam por exemplo o recente problema, grave, ocorrido no FBI em relação ao sistema de informação "Virtual Case File". Num artigo na Spectrum, Harry Goldstein diz:

"Now, detailed interviews with people directly involved with the VCF paint a picture of an enterprise IT project that fell into the most basic traps of software development, from poor planning to bad communication." (entrevistas com participantes do projeto apontam que armadilhas comuns em TI, como falta de planejamento e falta de comunicação ocorreram)
Muitos dos problemas que ainda persistem em SI acontecem face à falta de entendimento de que estes são sistemas complexos e que envolvem não só aspectos técnicos. Diz o artigo de 1994:
"Um sistema de informação não é como muitos acreditavam e, infelizmente, alguns ainda acreditam, um sistema puramente técnico. A visão tecnicista, oriunda, principalmente, do enfoque racional tecnológico da maioria dos gerentes responsáveis pela função de processamento de dados, detecta um sistema de informação como meramente uma obra de engenharia. Nada mais longe da realidade."
Na verdade Sistemas de Informação devem ficar atentos para aspectos sociais. A proposta
de organização federativa é uma alternativa, de origem social, que procura evitar problemas de integração de grandes sistemas.

Hoje com sistemas do tipo Web e com servidores cada vez mais pontentes, volta-se novamente a sonhar-se com sistemas centralizados e totalmente integrados. Vale o que está escrito acima: tecnologia só não resolve.

Voltarei a esse tema, principalmente sob a ótica de centralização / descentralização em Sistemas de Informação.